domingo, 15 de setembro de 2013

Curioso Nome de Loja e Árvore em Extinção

Ontem, estava eu habitualmente distraído indo em direção à Lapa, desde Pinheiros, quando vi pela janela do ônibus o nome de uma loja de roupas femininas muito curioso (o nome da loja): "Nem Santa Nem Doida (-) Moda Minas". Francamente acho que é um nome criativamente confuso. Mas não para as supermentes femininas, especialmente quando se trata de assuntos relacionados à moda e afins. De qualquer forma gostei dele porque tem um grande potencial, permitindo que as palavras sejam manipuladas de várias formas para proporcionar vários sentidos.

1 - Digamos que, pelo que parece ser o contexto original, Minas se refira à redução do nome do estado de Minas Gerais; dessa forma poderíamos usar o “Santa” como uma redução do nome do estado de Santa Catarina. Então nossa frase ficaria assim:

"Nem Santa Nem Minas - Moda Doida."

Daí, temos que os produtos da loja não seguiriam exatamente os padrões de moda utilizados em Minas Gerais e nem os padrões de Santa Catarina, podendo apresentar algo que os funde ou os ignora completamente, criando algo novo e inusitado - uma "moda doida".

2 - E se interpretássemos "Minas" como um sinônimo de riqueza ou poder aquisitivo ao menos? se sinonimizasse com o fato de se ter dinheiro? E ainda se "Doida" fosse uma gíria para indicar uma mulher que não se interessa e nem se preocupa com os padrões sociais modernos de aparência. Existe alguma assim? (Bem... é apenas uma fantasia pseudoliterária e Madre Tereza não conta.) Poderíamos então fazer dessa nossa personagem a pessoa que sai por aí fazendo boas ações e tomando banho com pouca frequência. Teríamos então:

"Nem Minas Nem Moda - Santa Doida"

3 - E pras "irmãs de caridade", mulheres sérias e desprovidas de recursos financeiros (isso foi uma ironia), angariando fundos para boas ações e alheias aos padrões de beleza pregados pela mídia? Precisaríamos de algo comedido, porém impactante, afinal, religião também é negócio (isso não foi uma ironia):

"Nem Minas Nem Doida - Moda Santa"

4 - E se "Minas" fosse a gíria criada da redução da palavra meninas e "Doida" o asqueroso e atual uso dos adjetivos sem variação de número (ou seja, sem definição de plural e singular para acompanhar as variações o substantivo)? referindo-se a meninas que não são bom exemplo de comportamentos tradicionais e que não tem (muito) respeito pelos padrões do meio social em que vivem, a popular "rebelde" ou, como diria Rita Lee, a "ovelha negra da família", que não se importa com sua aparência ou que prefere causar impacto visual utilizando suas características físicas unidas a acessórios inusitados (como aqueles pregos na boca ou as argolas de boi no nariz, afinal todos nós fazemos parte de algum rebanho até quando achamos que não, não é mesmo?).

"Nem Santa Nem Moda - Minas Doida"

Bem, acho que só por hoje. Gostei depois do nome da loja pelas possibilidades de brincar com ele.


Agora sobre a árvore. Acho sinceramente triste este fato, mas acontece que há muitos anos a castanholeira (uma espécie de amêndoa, também chamada por aí de sete-copas, pé-de-castanhola, cuca, coração-de-nêgo, chapéu-de-sol, chapéu-de-praia, no Cariri é castanhola mesmo) vem sumindo do Cariri. Eu acreditava quando criança que era uma árvore nativa da região e que nem existiria fora de lá - obviamente eu não conhecia nada além. Depois fiquei sabendo que era típica de regiões tropicais, que existe(ia) no Brasil, na Índia e em regiões de sua vizinhança asiática. Eu ainda hoje não sei se ela sempre existiu no Brasil ou se foi trazida pelos povos que o habitaram antes. Só sei que ela ligeiramente ganha território. Mas lá no cariri, ora por pura ignorância supersticiosa, ora por ignorância urbanística, esta árvore que acho muito linda quando cresce livre vem sendo extinta. (Se não já foi de todo.)

Os fanáticos acreditam por lá que se esta árvore existe em frente a uma residência e chegar na idade de completar a sétima copa, alguém da casa irá morrer. Então é o tempo de matar a árvore. Já as pessoas "preocupadas com o bem-estar social" matam esta árvore por causa de suas fortíssimas raízes que tendem a quebrar tudo com o tempo em busca de água e firmeza, aí lá se vão calçadas e asfaltos. Além do que sua espessa folhagem - magnífica folhagem prefiro dizer - quando começava a cair durante a mudança de estação costumava dar muito trabalho a quem limpava a rua ou calçada ou mesmo o terreiro onde houvesse alguma.

É uma árvore de sombra maravilhosa, não costuma crescer muito, é fácil de subir e tem um fruto adocicado e de um forte corante vermelho com uma castanha dentro. Às vezes alguns tem um gosto de vinho, mas não exatamente, é algo bem peculiar. Acredito que uma pesquisa séria poderia descobrir muitas utilidades para ele, desde fabricação de corantes naturais até condimentos mesmo. Sabe-se lá, vai que ela possui também alguma propriedade medicinal inusitada, não é mesmo? A Natureza é uma completa surpresa, sempre.

O bom é que, ainda no meu caminho pela Lapa (SP) eu encontrei uma, na rua Vespasiano, e fiquei surpreso e contente. Não imaginava que existisse alguma castanholeira por aqui. Isso deixou meu sábado realmente mais feliz. Depois de música, acho que árvores é o que gosto mais.

E aí vão as fotos dela, tem até um fruto que não duvido tenha sido o banquete de alguns morcegos frutíferos que adoram essa bolinha vermelha:

Achei também esse blog onde várias pessoas falam sobre ele: http://come-se.blogspot.com.br/2010/09/o-que-e-o-que-e_24.html. Gostei da ideia.

Até mais!